A ampliação da percepção na interface Dança e Autismo: um ensaio da convivência
Palavras-chave:
Dança, Autismo, ConvivênciaResumo
Este ensaio teórico traça argumentos na interface Dança e TEA, tendo como premissa a humanização, a partir da leitura de revisões bibliográficas desenvolvidas em quatro artigos organizados entre 2019 e 2024, e a narrativa de relato de experiência no livro TEarte. Atenta-se para um olhar destinado aos sujeitos que coexistem com pessoas autistas, o que deflagra o questionamento do que percebemos acerca de nós mesmas(os) e da vida quando convivemos com pessoas autistas mediadas(os) pela Dança. Aponta um movimento de circularidade que nos coloca no desenvolvimento de características humanas, tais como disponibilidade, silêncio, escuta e compassividade. Sugere que é na convivência dialógica que a Dança demonstra seu potencial ampliado, enquanto mobiliza nossa percepção da realidade. Assim, o papel da arte-Dança na sociedade contribui para o reconhecimento da expressão singular de cada ser humano, do desenvolvimento de uma educação anticapacitista por meio de uma visão crítica.
https://doi.org/10.21723/riaee.v21i00.2009201
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