Educação ambiental e mudanças climáticas
um estudo sobre o currículo do Ensino Fundamental no contexto amazônico de Abaetetuba, Pará
DOI:
https://doi.org/10.22633/rpge.v30i00.20960Palavras-chave:
Educação Básica, Educação Ambiental, Currículo, Comunidades tradicionaisResumo
A educação ambiental constitui-se um campo fundamental para a construção de práticas pedagógicas críticas. No contexto amazônico, torna-se ainda mais complexa e urgente, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas. Esta pesquisa, de caráter documental, analisou o Documento Curricular do município de Abaetetuba, referente aos anos iniciais do ensino fundamental. Os resultados evidenciam lacunas significativas em relação às mudanças climáticas e às comunidades tradicionais. Essa ausência revela-se preocupante, pois desconsidera a urgência da formação de sujeitos críticos e atuantes diante da crise climática que afeta, sobretudo, as comunidades tradicionais. A discussão sobre estas comunidades está restrita a habilidades específicas, sem consolidar uma perspectiva intercultural e contextualizada que valorize seus saberes e modos de vida. Com a criação do componente curricular Educação Ambiental, Sustentabilidade e Clima, emergem desafios relacionados à interdisciplinaridade, à escassez de materiais didáticos contextualizados à realidade amazônica e à formação docente.
Downloads
Referências
Abaetetuba. (2019). Documento curricular do município de Abaetetuba: Educação infantil e ensino fundamental. Secretaria Municipal de Educação.
Abaetetuba. (2025a). Currículo municipal de Abaetetuba: Educação infantil – campo de experiência educação ambiental; componente curricular educação ambiental, sustentabilidade e clima. Secretaria Municipal de Educação.
Abaetetuba. (2025b). Resolução n. 3, de 13 de março de 2025: Dispõe sobre a matriz curricular do ensino fundamental anos iniciais da rede pública municipal de educação, que inclui o componente curricular “educação ambiental, sustentabilidade e clima” e dá outras providências. Conselho Municipal de Educação de Abaetetuba.
Alves Pereira, V., Silva, M. L., & Sorrentino, M. (2024). Amazonizar a educação pelo horizonte dos saberes pantaneiros e amazônicos. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, 19(spe3), e19687. https://doi.org/10.21723/riaee.v19i00.1968701
Apple, M. W. (1996). Ideologia e currículo (V. Figueira, Trad.). Artmed.
Arroyo, M. G. (2007). Educandos e educadores: Seus direitos e o currículo. In J. Beauchamp, S. D. Pagel, & A. R. Nascimento (Orgs.), Indagações sobre currículo: Educandos e educadores: Seus direitos e o currículo (pp. 17–52). Ministério da Educação.
Brasil. (1999). Lei n. 9.795, de 27 de abril de 1999: Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9795.htm
Brasil. (2012). Resolução CNE/CP n. 2, de 15 de junho de 2012: Estabelece as diretrizes curriculares nacionais para a educação ambiental. Ministério da Educação. https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/resolucoes/resolucoes-cp-2012
Brasil. (2017). Base nacional comum curricular (BNCC). Ministério da Educação. https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/base-nacional-comum-curricular-bncc
Brook, R. K., & McLachlan, S. M. (2008). Trends and prospects for local knowledge in ecological and conservation research and monitoring. Biodiversity and Conservation, 17(14), 3501–3512. https://doi.org/10.1007/s10531-008-9445-x
Carniatto, I., Alves Pereira, V., & Gonzalez, A. C. (2025). Educação ambiental climática e perspectiva das redes frente aos desafios na América Latina e Caribe. Revista Brasileira de Educação Ambiental, 20(4), 294–315. https://doi.org/10.34024/revbea.2025.v20.20386
Chassot, A. I. (2006). Alfabetização científica: Questões e desafios para a educação. Unijuí.
Costa, C. A., & Loureiro, C. F. B. (2024). Educação ambiental crítica e conflitos ambientais: Reflexões à luz da América Latina. E-Curriculum, 22, e59508. https://doi.org/10.23925/1809-3876.2024v22e59508
Fearnside, P. M. (2009). Global warming in Amazonia: Impacts and mitigation. Acta Amazônica, 39(4), 1003–1012. https://doi.org/10.1590/S0044-59672009000400030
Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra.
Fuertes, M. Á., Andrés, S., Corrochano, D., Delgado, L., Herrero-Teijón, P., Ballegeer, A. M., Ferrari-Lagos, E., Fernández, R., & Ruiz, C. (2020). Climate change education: A proposal of a category-based tool for curriculum analysis to achieve the climate competence. Education in the Knowledge Society, 21(8), 1–13. https://doi.org/10.14201/eks.22823
Furtado, L. S., & Carmo, E. S. (2020). Para uma pedagogia cultural: O currículo e sua relação com a educação ribeirinha na Amazônia. E-Curriculum, 18(4), 1712–1732. https://doi.org/10.23925/1809-3876.2020v18i4p1712-1732
Hage, S. M. (2005). Educação na Amazônia: Identificando singularidades e suas implicações para a construção de propostas e políticas educativas e curriculares. In S. M. Hage (Org.), Educação do campo na Amazônia: Retratos de realidade das escolas multisseriadas no Pará (pp. 61–68). Gutemberg.
Hudson, A., & Vodden, K. (2020). Decolonizing pathways to sustainability: Lessons learned from three Inuit communities in NunatuKavut, Canada. Sustainability, 12(11), 1–20. https://doi.org/10.3390/su12114419
Joa, B., Winkel, G., & Primmer, E. (2018). The unknown known: A review of local ecological knowledge in relation to forest biodiversity conservation. Land Use Policy, 79, 520–530. https://doi.org/10.1016/j.landusepol.2018.09.001
Kapranov, O. (2024). Climate change education in curriculum documents by the Norwegian Directorate for Education and Training: A content analysis. Journal of Education, Society & Multiculturalism, 5(2), 160–181. https://doi.org/10.2478/jesm-2024-0020
Libâneo, J. C. (1998). Didática. Cortez.
Lima-Junior, E. B., Oliveira, G. S., Santos, A. C. O., & Schnekenberg, G. F. (2021). Análise documental como percurso metodológico na pesquisa qualitativa. Cadernos da Fucamp, 20(44), 36–51.
Lopes, A. C. (2018). Apostando na produção contextual do currículo. In M. A. S. Aguiar, & L. F. Dourado (Orgs.), A BNCC na contramão do PNE 2014–2024: Avaliação e perspectivas (pp. 23–27). Associação Nacional de Política e Administração da Educação.
Loureiro, C. F. B. (2004). Educação ambiental crítica: Contribuições e desafios. In P. P. Layrargues (Org.), Identidades da educação ambiental brasileira (pp. 67–84). Ministério do Meio Ambiente.
Loureiro, C. F. B. (2012). Trajetória e fundamentos da educação ambiental (4ª ed.). Cortez.
Lüdke, M., & André, M. E. D. A. (2022). Pesquisa em educação: Abordagens qualitativas (2ª ed.). EPU.
Monroe, M. C., Plate, R. R., Oxarart, A., Bowers, A., & Chaves, W. A. (2017). Identifying effective climate change education strategies: A systematic review of the research. Environmental Education Research, 25(6), 791–812. https://doi.org/10.1080/13504622.2017.1360842
Moreira, A. F. B. (1998). Currículo: Questões atuais. Papirus.
Moreira, A. F., & Silva, T. T. (2009). Currículo, cultura e sociedade (11ª ed.). Cortez.
Morin, E. (2015). Os sete saberes necessários à educação do futuro (C. E. Silva & J. Sawaya, Trads.). Cortez.
Pará. (2018). Documento curricular do estado do Pará. Secretaria de Educação.
Pereira, B. E., & Diegues, A. C. (2010). Conhecimento de populações tradicionais como possibilidade de conservação da natureza: Uma reflexão sobre a perspectiva da etnoconservação. Desenvolvimento e Meio Ambiente, 22, 37–50. https://doi.org/10.5380/dma.v22i0.16054
Pinar, W. F., Reynolds, W. M., Slattery, P., & Taubman, P. M. (Eds.). (1995). Understanding curriculum: An introduction to the study of historical and contemporary curriculum discourses. Peter Lang.
Sá-Silva, J. R., Almeida, C. D., & Guindani, J. F. (2009). Pesquisa documental: Pistas teóricas e metodológicas. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais, 1(1), 1–15. https://doi.org/10.63595/rbhcs.v1i1.10351
Sacristán, J. G. (2000). O currículo: Uma reflexão sobre a prática (E. F. Rosa, Trad.). Artmed.
Sacristán, J. G., & Gómez, A. P. (1998). Compreender e transformar o ensino (4ª ed.; E. F. Rosa, Trad.). Artmed.
Salick, J., & Ross, N. (2009). Traditional peoples and climate change. Global Environmental Change, 19(1), 137–139. https://doi.org/10.1016/j.gloenvcha.2009.01.004
Santos, D. I. P., Costa, F. S., Caldas, M. R. A., Silva, P. R. M., & Caldas, I. S. A. (2023). Mudanças climáticas e modo de vida ribeirinho: Bases para a governança de risco no Amazonas. Educamazônia, 16(2), 416–438.
Santos, R. A., & Andrade, S. S. (2020). Relações étnico-raciais e quilombos: Dos conhecimentos socioculturais ao currículo da educação escolar quilombola na Amazônia paraense. Nova Revista Amazônica, 8(2), 65–85. https://doi.org/10.18542/nra.v8i2.9373
Sauvé, L. (1996). Environmental education and sustainable development: A further appraisal. Canadian Journal of Environmental Education, 1, 7–34.
Saxena, V. (2025). Water quality, air pollution, and climate change: Investigating the environmental impacts of industrialization and urbanization. Water, Air, & Soil Pollution, 236(73), 1–40. https://doi.org/10.1007/s11270-024-07702-4
Silva, M. A. (2020). Educação ambiental situada em comunidades ribeirinhas da Amazônia. Revista de Administração Contemporânea, 24(6), 1–18.
Souza, M., & Andrade, R. A. (2026). Educação ambiental na escola: Desafios e caminhos para a formação docente em tempos de crise climática. Revista Sergipana de Educação Ambiental, 13, 1–31. https://doi.org/10.47401/revisea.v13.23568
Tozoni-Reis, M. F. C. (2006). Temas ambientais como “temas geradores”: Contribuições para uma metodologia educativa ambiental crítica, transformadora e emancipatória. Educar em Revista, 22(27), 93–110. https://doi.org/10.1590/S0104-40602006000100007
Veiga-Neto, A. (2002). De geometrias, currículo e diferenças. Educação & Sociedade, 23(79), 163–186. https://doi.org/10.1590/S0101-73302002000300009
Veiga-Neto, A. (2008). Crise da modernidade e inovações curriculares: Da disciplina para o controle. Sísifo, (7), 141–150.
Xavier, P. M. A., & Flor, C. C. (2015). Saberes populares e educação científica: Um olhar a partir da literatura na área de ensino de ciências. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, 17(2), 308–328. https://doi.org/10.1590/1983-21172015170202
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista on line de Política e Gestão Educacional

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Manuscritos aceitos e publicados são de propriedade da Revista on line de Política e Gestão Educacional. É vedada a submissão integral ou parcial do manuscrito a qualquer outro periódico. A responsabilidade do conteúdo dos artigos é exclusiva dos autores. É vedada a tradução para outro idioma sem a autorização escrita do Editor ouvida a Comissão Editorial Científica.


