Políticas de EJA EPT no Brasil: ascensão, estagnação e silenciamento

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21723/riaee.v16i3.13544

Palavras-chave:

Educação de jovens e adultos, Educação profissional e tecnológica, Políticas públicas em educação

Resumo

Este estudo apresenta o movimento e a oferta da política de Educação de Jovens e Adultos (EJA) integrada à Educação Profissional e Tecnológica (EPT) na Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, no contexto brasileiro, desde sua instituição até os dias atuais. Foram analisados três movimentos distintos: ascensão, estagnação e silenciamento, produzindo-se dados por análise documental, e, como sistematização, elaborou-se esse texto, tendo por orientação teórico-metodológica a análise dialética. Partiu-se do suposto que a política de EJA EPT, construída nesse espaço-tempo como um contexto de “dialética das disputas”, ora avança e amplia a oferta, permitindo o acesso das camadas excluídas da sociedade, ora retrocede para atender aos interesses do capital. Assim, além de analisar a oferta e o crescimento da Rede Federal, observou-se a influência do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego - PRONATEC, que passou a ser ofertado a partir do ano de 2011, na política de EJA EPT. Os resultados apontam a dificuldade de se manter a formação integral na EJA EPT, se consideradas as características neoliberais em curso.

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Biografia do Autor

Marcos José Andrighetto, Instituto Federal Farroupilha (IFFAR), Santo Augusto – RS

Técnico Administrativo em Educação do departamento de ensino. Doutorando em Educação (UFSM).

Mariglei Severo Maraschin, Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM/UFSM), Santa Maria – RS

Professora no Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (PPGEPT) do CTISM/UFSM e no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UFSM. Doutorado em Educação (UFSM).

Liliana Soares Ferreira, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria – RS

Professora no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE). Doutorado em Educação (UFSM).

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Publicado

01/07/2021

Como Citar

ANDRIGHETTO, M. J.; MARASCHIN, M. S.; FERREIRA, L. S. Políticas de EJA EPT no Brasil: ascensão, estagnação e silenciamento. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 16, n. 3, p. 2179–2198, 2021. DOI: 10.21723/riaee.v16i3.13544. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/13544. Acesso em: 25 out. 2021.