O novo paradigma da educação na promoção de uma sociedade mais inclusiva

Eduardo Duque, Jf Durán Vázquez

Resumo


O tema que aqui nos propomos tratar só é possível porque vivemos no tempo e no espaço em que vivemos. Vivemos nele, aqui e agora. Se estivéssemos no período pós II Guerra Mundial, poderíamos estar, possivelmente, a discutir a “escola de massas” ou, se estivéssemos no período de Maio de 68, estaríamos a debater a “contestação universitária”. Hoje, porém, dado que a vida nos oferece outras oportunidades, discutimos o papel da educação à luz da Declaração Universal dos Direitos do Homem, conscientes do seu papel no desenvolvimento integral da pessoa.

Esta nova forma de entender a educação faz com que o mundo dê um salto qualitativo, ao conceber-se em função do desenvolvimento pessoal de cada ser humano.

Chegamos ao verdadeiro epicentro do sismo que abala a educação e que vai exigir profundas alterações ao subsistema escolar dentro do sistema educativo. A escola passa a ter, deste modo, a responsabilidade de adequar o currículo aos seus alunos e tomar opções que considere mais eficazes de forma a garantir o sucesso dos alunos – de todos os alunos –, de um modo especial, daqueles que manifestam algum tipo de fragilidade.

No artigo que aqui nos propomos desenvolver, pretende-se repensar não exclusivamente o sistema escolar - que é determinante na formação da pessoa e que analisaremos pela via da diversidade escolar -, mas o sistema educativo como um todo e propor-lhe-emos que vá mais longe, mais ao concreto e mais ao fundo para ser verdadeiramente inclusivo, como se exige hoje nas sociedades contemporâneas.


Palavras-chave


Educação; Inclusão; Currículo; Cidadania; Direitos humanos.

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