“Sempre fui meio termo”: a clínica fonoaudiológica e a construção de narrativas no contexto da Educação Superior

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21723/riaee.v15iesp5.14571

Palavras-chave:

Dificuldade, Narrativa, Universidade

Resumo

O objetivo deste artigo é discutir tanto a narrativa produzida no contexto da Educação Superior quanto o lugar da clínica fonoaudiológica no acolhimento de universitários com dificuldades acadêmicas. Para tanto, foram utilizadas entrevistas e parte do material escrito produzido por um universitário que procurou a clínica fonoaudiológica com o objetivo de diagnosticar e corrigir as dificuldades. A discussão do caso mobilizou três áreas: Linguística; Sociologia; e Fonoaudiologia. A procura por tratamento representa, nesse contexto, uma possibilidade também de atribuir sentido à sua história de vida. A atribuição de um diagnóstico para suas dificuldades educacionais faz com que o espaço clínico emerja como lugar de acolhimento e apoio que a Universidade não consegue ser.

Biografia do Autor

Lais Oliva Donida, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis – SC

Doutoranda no programa de Pós-graduação em Linguística.

Alexandre Bergamo, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis – SC

Professor no Departamento de Sociologia e Ciência Política. Doutorado em Sociologia (USP).

Sandra Maia-Vasconcelos, Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza – CE

Docente no Departamento de Letras Vernáculas e no Programa de Pós-Graduação em Linguística. Doutorado em Ciências da Educação pela Universidade de Nantes (UN) – França.

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Publicado

01/12/2020

Como Citar

Donida, L. O., Bergamo, A., & Maia-Vasconcelos, S. (2020). “Sempre fui meio termo”: a clínica fonoaudiológica e a construção de narrativas no contexto da Educação Superior. Revista Ibero-Americana De Estudos Em Educação, 15(esp5), 3001–3019. https://doi.org/10.21723/riaee.v15iesp5.14571