Dificuldades de leitura, escrita e numeramento na educação superior: discussões acerca da reprodução das desigualdades sociais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21723/riaee.v16i1.13551

Palavras-chave:

Matemática, Escrita, Letramento, Universidade.

Resumo

Este artigo objetiva compreender como as desigualdades sociais originam dificuldades de leitura, escrita, aritmética e como essas questões de ordem social são transformadas em supostos diagnósticos clínico-biológicos em estudantes da Educação Superior. Os contornos metodológicos envolvem um estudo de caso de uma estudante encaminhada para a clínica fonoaudiológica para avaliação clínica. Os dados demonstram que as dificuldades acadêmicas da universitária são consideradas como “alterações de cunho patológico” por que refletem mecanismos de manutenção e reprodução de desigualdades sociais. A Universidade, por sua vez, não consegue fazer com que o apoio pedagógico institucional dê conta das dificuldades da acadêmica, devido às especificidades do curso de graduação. A partir disso, conclui-se que um possível caminho a ser construído no contexto da Educação Superior seja (trans)formar os cursos a partir da perspectiva do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA).

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Lais Donida, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis – SC

Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Linguística.

Soeli Francisca Mazzini Monte Blanco, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis – SC

Docente do Centro de Educação à Distância (CEAD). Doutorado em Engenharia Química (UFSC).

Referências

ALMEIDA, A. M. Notas sobre a sociologia do poder: a linguagem e o sistema de ensino. Horizontes, Bragança Paulista, v. 20, p. 15-30, jan./dez. 2002. Disponível em: http://www.titosena.faed.udesc.br/Arquivos/Textos_para_aulas/notas_sobre_a_sociologia_do_poder.pdf. Acesso em: 15 nov. 2019.

APA. AMERICAN PSYCHIATRY ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders - DSM-5. 5. ed. Washington: American Psychiatric Association, 2014.

BOCK, G. L. K.; GESSER, M.; NUERNBERG, A. H. O desenho universal para aprendizagem no acolhimento das expectativas de participantes de cursos de educação a distância. Revista Educação Especial, Santa Maria, v. 32, jun. 2019. DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1984686X34504

BOURDIEU, P. (Org). A Miséria do Mundo. Petrópolis/RJ: Vozes, 2001.

BOURDIEU, P. Homo academicus. Trad. Ione Ribeiro Valle; Nilton Valle, Rev. Téc. Maria Tereza de Queiroz Piacentini. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2011[1984].

BOURDIEU, P. Escritos de educação. 14. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2012.

BOURDIEU, P.; PASSERON, J. Os herdeiros: os estudantes e a cultura. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2014[1964].

BRASIL. Decreto n. 6.096, de 24 de abril de 2007. Institui O Programa de Apoio A Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais. Brasília, Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6096.htm. Acesso em: 25 nov. 2019.

BRASIL. Decreto n. 7.234, de 19 de julho de 2010. Dispõe Sobre O Programa Nacional de Assistência Estudantil. Brasília. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7234.htm. Acesso em: 17 nov. 2019.

BRASIL. Lei n. 12.711, de 29 de agosto de 2012. Dispõe Sobre O Ingresso nas Universidades Federais e nas Instituições Federais de Ensino Técnico de Nível Médio e Dá Outras Providências. Brasília, 2012. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12711.htm. Acesso em: 27 nov. 2019.

IBGE. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Síntese de Indicadores 2012. 2012. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2012/default_sintese.shtm. Acesso em: 1 nov. 2019.

CAST. Universal design for learning. Guidelines version 2.2, 2018. Disponível em: http://udlguidelines.cast.org. Acesso em: 18 dez. 2019.

CAVACO, C. J. D. Adultos pouco escolarizados diversidade e interdependência de lógicas de formação. 2008. Tese (Doutorado) – Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2008. Disponível em: https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/972/1/17505_ulsd_re286_TD_Carmen_Cavaco3.pdf. Acesso em: 12 dez. 2019.

D’AMBROSIO, U. Etnomatemática, justiça social e sustentabilidade. Estudos Avançados, São Paulo, v. 32, n. 94, p. 189-204, 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/s0103-40142018.3294.0014

DONIDA, L. O. Universitários com dificuldade de leitura e escrita: desvelando discursos. 2018. 145 f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/194394/PLLG0731-D.pdf?sequence=-1&isAllowed=y. Acesso em: 2 mar. 2020.

DONIDA, L. O.; SANTANA, A. P. Apoio Pedagógico como proposta de educação para todos. Educ. Pesqui., São Paulo, v. 45, e192527, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/s1678-4634201945192527

DONIDA, L. O.; POTGURSKI, D. S.; POTTMEIER, S.; ELIASSEN, E. S.; SANTANA, A. P. O. Letramentos Digitais: Mediadores Do Processo De Inclusão Educacional? In: COLÓQUIO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSÃO ESCOLAR, 2019, Florianópolis. Anais [...]. Campinas: Galoá, 2019. Disponível em: https://proceedings.science/cintedes-2019/papers/letramentos-digitais--mediadores-no-processo-de-inclusao-educacional--?lang=pt-br. Acesso em 18 nov. 2019.

ELIASSEN, E. S. A discursivização do diagnóstico da dislexia: da teoria à prática. 2018. 224 f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/205753. Acesso em 19 dez. 2019.

HOLLAND, B. Desenho universal para aprendizagem: um guia para o sucesso escolar. Diversa, 2014. Disponível em: https://diversa.org.br/artigos/desenho-universal-para-aprendizagem-guia-sucesso-escolar/. Acesso em: 27 mar. 2019.

IBLC. Instituto Brasileiro de Letramento Científico (Org.). ILC - Indicador de Letramento Científico: Sumário executivo de resultados. 2018. Disponível em: http://iblc.org.br/wp-content/uploads/2018/01/1-relatorio-executivo-ilc-fcc.pdf. Acesso em: 23 mar. 2020.

INSTITUTO PAULO MONTENEGRO, AÇÃO EDUCATIVA. Inaf Brasil 2018: resultados preliminares. Disponível em: http://acaoeducativa.org.br/wp-content/uploads/2018/08/Inaf2018_Relat%C3%B3rioResultados-Preliminares_v08Ago2018.pdf. Acesso em: 8 set. 2018.

LAHIRE, B. Sucesso escolar nos meios populares: As razões do improvável. São Paulo: Ática, 2008.

NOGUEIRA, M. A.; NOGUEIRA, C. M. M. Bourdieu & a Educação. 2. ed. Belo Horizonte: Atlântica, 2014.

NORONHA, M. G. O uso de TDICs na prática fonoaudiológica para a linguagem escrita: revisão da produção acadêmica nas revistas brasileiras de fonoaudiologia. 2019. Monografia (Trabalho de Conclusão do Curso de Fonoaudiologia) – Centro de Ciências da Saúde (CCS), Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2019.

OLIVEIRA, A. M.; ACOSTA, R. P. Os gêneros do discurso na esfera acadêmica: reverberações dialógicas. Letras, Santa Maria-RS, n. 58, p. 13-36, set. 2019. ISSN 2176-1485. DOI: https://doi.org/10.5902/2176148534195

RODRIGUES, A. Movimentos escolarizados e não escolarizados: do corpo aluno e suas estratégias de resistência. Revista Contemporânea de Educação, v. 9, n. 18, 2014. DOI: https://doi.org/10.20500/rce.v9i18.1858

ROSE, D. H.; MEYER, A. Teaching every student in the digital age: universal design for learnig. Alexandria, VA: ASCD, 2002. Disponível em: http://www.ascd.org/publications/books/101042.aspx. Acesso em: 16 abr. 2019.

SANTANA, A. P.; DARDE, A. O. G.; SANTOS, K. P.; DONIDA, L. O.; POTTMEIER, S. Educação Superior e recursos de acessibilidade na visão de professores e estudantes. In: LEITE, L. P.; MARTINS, S. E. S. O.; VIELLELA, L. M. (Org.). Recursos de acessibilidade aplicados ao ensino superior. 2. ed. São Paulo, SP: Cultura Acadêmica, 2017. v. 1. p. 133-156.

SANTANA, A. P.; SANTOS, K. P. A perspectiva enunciativo-discursiva de Bakhtin e a análise da linguagem na clínica fonoaudiológica. Bakhtiniana, Rev. Estud. Discurso, São Paulo, v. 12, n. 2, p. 174-190, ago. 2017. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/2176-457327491

SENHORINI, G.; SANTANA, A. P. O.; SANTOS, K. P.; MASSI, G. A. O processo terapêutico nas afasias: implicações da neurolinguística enunciativo - discursiva. Rev. CEFAC, São Paulo, v. 18, n. 1, p. 309-322, 2016. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1982-0216201618117214

STREET, B. Letramentos sociais: abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. Trad. Marcos Bagno. São Paulo: Parábola, 2014.

UNESCO. United Nations Educational Scientific And Cultural Organization (Ed.). Education for people and planet: creating sustainable futures for all. 2. ed. Paris: Unesco, 2016. 535 p. (Global edu). Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/images/0024/002457/245752e.pdf. Acesso em: 1 nov. 2019.

Publicado

02/01/2021

Como Citar

DONIDA, L.; BLANCO, S. F. M. M. Dificuldades de leitura, escrita e numeramento na educação superior: discussões acerca da reprodução das desigualdades sociais. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 16, n. 1, p. 341–360, 2021. DOI: 10.21723/riaee.v16i1.13551. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/13551. Acesso em: 8 mar. 2021.

Edição

Seção

Artigos