Política de avaliação em larga escala: “educação para todos” ou exclusão em nome da “qualidade”?

Silmara Cássia Barbosa Mélo, Wilson Honorato Aragão

Resumo


A política de avaliação da educação no Brasil percorre caminhos duvidosos com repercussões jamais percebidas, que implicam diretamente no cotidiano da escola, dos professores e dos alunos, fazendo emergir problematizações acerca dos impactos, sobretudo, no que se refere às formas mais aprimoradas de exclusão. Nesta perspectiva, este artigo discute a atual política de avaliação da educação básica em larga escala, implantada nos anos 1990, e sua relação com o processo de exclusão. Para tanto, foi realizada uma pesquisa teórica/bibliográfica em que se apresenta uma análise sobre a concepção da “educação para todos” até a emergência dos novos ideais propostos para educação com base no movimento “Todos Pela Educação”. Além disso, aborda-se o processo de implementação, os instrumentos utilizados e as repercussões da política de avaliação em larga escala no Brasil. Desse modo, observa-se que na busca por resultados, perde-se o processo de lutas e as conquistas travadas historicamente em torno educação enquanto um bem público, um direito de todos, a qual não pode ser reduzida a mensuração numérica, constituindo-se assim um mecanismo de exclusão em nome da “qualidade”. 


Palavras-chave


Políticas educacionais. Avaliação em larga escala. Exclusão.

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DOI: https://doi.org/10.22633/rpge.v21.n.esp2.2017.10177



Rev. on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, SP, Brasil, e-ISSN: 1519-9029

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